Depois de uma ausência de uma semana, é bom voltar para casa e ver a natureza trabalhando.
No quintal de casa, no meu lugar preferido de leitura, debaixo do pequizeiro, as flores começam a cair, o que é o prenúncio dos frutos que vem com a nova estação.
É gratificante ver a beleza das flores, e saber que a beleza não para aí, pois vem mais coisa boa pela frente.
Faço um paralelo com a festa do casamento, o luxo e a exuberância, que é também o início de uma nova fase na vida das pessoas, que frutificam na grande parte dos casos na criação dos filhos.
A vida, e assim nos mostra a natureza, é feita de várias etapas, cada uma mais bela que a outra.
Mesmo no avanço da idade, a árvore segue dando frutos, que não são os filhos e muitas vezes nem são os netos, mas a sombra confortável da maturidade, da experiência e da serenidade.
Sempre ouvi dizer que a raça humana é mestre em se adaptar às condições, razão pela qual tem sobrevivido a tantas transformações do meio ambiente.
Porém, quando examino as árvores, me admiro a capacidade de adaptação, sem sequer sair do lugar.
Ora chove, ora falta chuva, e a vida que segue para as árvores.
Me parece que o segredo, e isso vale para as pessoas, é tirar o melhor proveito daquilo que nos é fornecido ali, naquele momento.
A vida é abundante, e é preciso estar atentos para perceber as graças que recebemos todos os dias.
Os frutos podem não vir agora, mas virão na próxima estação.
Beco




